Introdução: A arte (e a ciência) de montar um time comercial de alta performance
Contratar um bom vendedor vai muito além de analisar um currículo ou verificar metas batidas. A escolha certa envolve entender o momento do seu negócio, o perfil do seu cliente, a complexidade do ciclo de vendas e, sobretudo, a sintonia entre os valores do profissional e os da empresa.
Em tempos de transformação digital e novos hábitos de consumo B2B, o desafio de recrutar talentos comerciais ganhou uma nova camada de complexidade. Mas também uma oportunidade: quem entende esse jogo, sai na frente.
Neste artigo, você vai encontrar um passo a passo estratégico — baseado em experiência prática e tendências atuais — para contratar vendedores realmente alinhados com os objetivos da sua operação comercial.
1. Antes de contratar, olhe para dentro: qual é o perfil de venda da sua empresa?
Antes de abrir qualquer vaga, faça um diagnóstico honesto da sua operação:
- Seu modelo de venda é consultivo ou transacional?
- O ciclo de vendas é curto ou longo?
- Os clientes são PME, grandes empresas ou consumidor final?
- A geração de leads é ativa ou passiva?
Essas respostas moldam o perfil ideal do profissional. Por exemplo, vendas complexas exigem perfil analítico, empático e com visão de longo prazo — não alguém focado apenas em números rápidos.
2. Crie uma descrição de vaga que atrai o perfil certo (e repele o errado)
A forma como você comunica a vaga determina quem vai se candidatar. Evite generalizações e use a descrição como um primeiro filtro estratégico:
- Detalhe as responsabilidades reais, os desafios da função e o que será esperado nos primeiros 90 dias.
- Apresente situações do dia a dia que o candidato encontrará.
- Deixe claro o que sua empresa valoriza, em termos de cultura, comportamento e atitude.
Isso ajuda a atrair quem compartilha dos mesmos valores — e afasta quem apenas busca “mais uma oportunidade”.
3. Faça um processo seletivo profissional, inteligente e orientado por valores
Contratar vendedores com base apenas em currículo e metas batidas é como escolher um piloto sem saber se ele já enfrentou turbulências. Um processo seletivo estratégico precisa revelar o que há por trás do desempenho: valores, caráter, visão de mundo e ambições pessoais.
a) Vá além do script: investigue os valores do candidato
Aqui, perguntas mais profundas e pessoais fazem toda a diferença. Veja alguns exemplos que funcionam muito bem para descobrir como o profissional pensa, reage e toma decisões:
- “Do que você mais se orgulha na vida?” → Revela o que a pessoa valoriza como conquista e quais são seus princípios de autorrealização.
- “Você gosta e pratica esportes? Quais?” → Ajuda a entender disciplina, competitividade, espírito de equipe ou individualismo.
- “Em quem você votou na eleição passada e por quê?” → Questão delicada, mas útil para compreender visão de mundo, senso crítico e postura diante de dilemas sociais.
- “Quem são suas maiores referências e por quê?” → Mostra quem o candidato admira, e como forma sua visão de sucesso e liderança.
Essas perguntas não têm respostas certas ou erradas — o importante é perceber se há sintonia entre os valores do candidato e os da empresa.
b) Integre dados e sensibilidade
Você pode (e deve) usar ferramentas de apoio como testes de perfil comportamental, mas o diferencial está na escuta ativa. Analise como o candidato responde: ele é genuíno ou performático? Ele reflete antes de responder ou já vem com frases prontas?
Numa boa entrevista, o objetivo não é filtrar só o mais “preparado” — mas sim identificar quem faz sentido no contexto do seu time, da sua cultura e do seu cliente.
4. Avalie além da experiência: busque repertório, inteligência emocional e adaptabilidade
Mais do que anos de experiência ou “metas batidas”, procure sinais de inteligência relacional e pensamento crítico:
- Repertório de mercado: o candidato entende o setor?
- Habilidade de escuta ativa: consegue mapear necessidades do cliente?
- Adaptabilidade: como reage a contextos de mudança ou pressão?
Vendedores de alta performance são aqueles que combinam empatia, estratégia e consistência emocional.
5. Não contrate pressa. Contrate propósito.
Contratar rápido para “tapar buraco” é um erro que cobra caro depois. Pressa leva a desalinhamento, rotatividade e retrabalho. Um processo bem feito pode até levar mais tempo — mas economiza energia, dinheiro e reputação no longo prazo.
Conclusão: o vendedor certo transforma a área comercial — o errado contamina a cultura
Contratar bem é o primeiro passo para construir uma área comercial de alta performance. Um vendedor alinhado aos valores da empresa se torna embaixador da sua cultura no mercado. Já um vendedor desalinhado pode comprometer todo o esforço de branding, reputação e clima interno.
Em resumo:
- Conheça sua operação antes de definir o perfil ideal.
- Use a descrição da vaga como uma peça estratégica de atração.
- Faça um processo seletivo profissional e orientado por valores.
- Use dados, mas valorize a escuta ativa e a leitura subjetiva.
- Contrate com paciência e propósito — não com urgência.